Com Bola e Tudo

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Gol? Tem hoje não, fera, passa amanhã!

por Guilherme Barbosa, em 2016-08-09 10:04:00

Mendigos do gol. É assim que torcedores da Seleção Brasileira Masculina de futebol podem ser vistos até agora nas Olimpíadas Rio 2016. Jogamos duas partidas contra as fortes (kkkkk) equipes da África do Sul e do Iraque e, não tendo feito gols em nenhuma delas, agradecemos por não termos levado. Chances não faltaram!

Estamos mendigando gols e até o momento, ao batermos na porta da badalada Seleção Masculina de Futebol de Neymar, Renato Augusto, Gabigol e Gabriel Jesus, tudo o que ouvimos foi: “Gol? Hoje não tem”. São mais de 180 minutos sem comemorarmos ao menos um gol. Cabisbaixos, seguimos reclamando da sorte, praguejando contra os caras e lembrando (finamente!) que temos uma seleção feminina.

Elas sim estão dando show! Enquanto a macharada não marcou gol em dois jogos, as garotas já fizeram 8, acumulam duas vitórias, já garantiram a classificação para a próxima fase e, ao lado da Alemanha, tem o melhor ataque da competição com gols marcados: 5 contra a Suécia e 3 contra a China.

Enquanto as meninas lideram tendo o melhor ataque, adivinhe como está o nosso ataque… Isso mesmo! Zerado, o Brasil está ao lado de seus colegas de grupo Iraque e África do Sul como o pior(!) ataque das Olimpíadas.

Valorização - Segundo o jornal Metro, somados os 18 convocados de Micale valem € 230,7 milhões (R$ 826,7 milhões). Sozinho, Neymar é responsável por quase 50% da quantia (€ 100 milhões ou R$ 358,35 milhões). É o jogador mais caro das Olimpíadas. Marquinhos (R$ 107,5 milhões), Felipe Anderson (R$ 68,09 milhões) e Rafinha (R$ 43 milhões) também ajudam a “engordar” o valor da Seleção. Entre os que atuam no Brasil, destaque para Gabigol (Gol? Cadê?), avaliado em € 15 milhões (R$ 53,75 milhões).

 


Sem a valorização extrema do futebol masculina, aliás, quase valorização nenhuma, as mulheres penam. Foram literalmente enganadas. Segundo o site ESPN W, site especializado em cobertura de modalidades esportivas femininas, quando a seleção brasileira permanente de futebol feminino foi formada, no início de 2015, jogadoras que atuavam em clubes brasileiros deixaram as agremiações para se dedicarem exclusivamente à seleção da CBF, com a promessa de um contrato assinado e todas as suas garantias. Mais de um ano depois, nada disso aconteceu. Contrato, carteira assinada, FGTS, 13º salário e planos de saúde, tudo isso foi prometido, nada foi garantido.
 
Segundo a matéria da ESPN, os pagamentos são depositados seguindo acordos verbais (ou seja, não há contrato assinado!) com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). É ridícula a desvalorização pela qual as meninas passam.

Infelizmente, a desvalorização não é uma exclusividade do Brasil. A ESPN W fez um levantamento apontando isso. A Champions League, maior competição do futebol europeu paga 60 vezes a mais aos homens do que às mulheres.


Ainda comparando, a atratividade de público das mulheres é bem menor. Na Champions, enquanto a média de público da última temporada na categoria destinada a atletas do sexo masculino foi de 40.775 por jogo, as mulheres atraíram em média apenas 3.009 torcedores aos estádios.


Na final, quando o jogo se torna mais atrativo, a coisa não muda muito de figura. A diferença entre os públicos das partidas masculinas e femininas, que em jogos “normais” é de 92,6%, cai para 79,4% em finais.


É bem verdade que a média de gols nos jogos do futebol feminino é maior do que a média masculina, como podemos ver:


A facilidade para fazer gols é apontada por alguns como algo que causa desinteresse do público em relação ao futebol feminino. Isso pode ser evitado com o cumprimento de uma regra pouco conhecida que permite a diminuição do campo de jogo, do tamanho e peso da bola e das dimensões das balizas (traves). Assim, poderíamos ter jogos com mais velocidade, mais disputas por espaço e, principalmente, mais dificuldade para se marcar gols, o que ampliaria o brilhantismo de jogadoras inteligentes e boas de bola como é o caso de Marta, tão celebrada pela torcida e que já conquistou o título de melhor jogadora do mundo cinco vezes.

Alterar dimensões, algo que é permitido pelas regras do futebol, é um trabalho pequeno para um benefício tão grande que é a valorização do futebol feminino, que tem nos dado alegrias.


Já que estamos comparando, vale ressaltar, inclusive, que com cinco títulos de melhor do mundo, Marta tem, sozinha, a mesma quantidade de prêmios que Ronaldo (3 vezes melhor do mundo) e Ronaldinho Gaúcho (duas vezes), maiores ganhadores brasileiros do título.